quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Denuncias- Larissa Ferreira


Eu nunca fui assaltada. Em parte, talvez, porque eu acordo às 5:30h pra chegar na faculdade cedo e estacionar nas escassas vagas permitidas aos estudantes dentro do que mais se assemelha a um campus naquela bagunça de prédios espalhados dentro da comunidade. Motivo? Medo dos assaltos diários e péssimas experiências nas poucas vezes em que estacionei fora. Imagine andar sozinha, ser mulher e sair daquele suposto “campus” quando está escurecendo...

Já fui vítima de extorsão por parte dos flanelinhas muitas vezes. Basta estacionar na área “deles” uma vez, e eles decoram seu carro, misteriosamente ouvem seu nome e aprendem os seus horários. O que você dá de dinheiro nunca é suficiente, eles lavam seu carro mesmo você dizendo pra NÃO lavarem e depois vêm cobrar o pagamento e, se você não estaciona com eles no outro dia, chamam sua atenção quando você passa na rua perguntando onde está seu carro (e especificando modelo e cor, diga-se de passagem). Pelo menos aconteceu mais de uma vez comigo. Sinceramente? Morro de medo. Vez ou outra, um deles passa uns dias preso ou é espancado por alguém. Prefiro não imaginar o motivo. Ainda assim, são eles que estão todos os dias lá observando a nossa rotina, e nós estamos à mercê deles.

Outro problema: a falta de controle de acesso aos prédios da faculdade. Pessoas quaisquer usam a única área cercada do “campus” como atalho em seus percursos. No ambiente do Centro Acadêmico, sempre circulam pedintes com histórias imensas de que “precisam do dinheiro pra voltar pra casa” ou “a filha tá internada e não receberam comida no hospital”. Alguns são figurinhas repetidas e fazem isso todos os dias há mais de ano, sem sequer se darem ao trabalho de inventar novas histórias, e é porque essa é a área supostamente cercada da faculdade...Paciência!

Entrar em qualquer prédio da faculdade também não é problema. O aviso de “Identifique-se na recepção” é só enfeite, já que os supostos recepcionistas são meros “guardadores de chaves” das salas. Já houve história de professora ser abordada DENTRO DA SUA PRÓPRIA SALA.

Os supostos seguranças da faculdade são, na realidade, vigias dos estacionamentos reservados aos professores, e, ao meu ver, a única função que eles exercem é a de impedir alunos e pacientes de estacionarem nesses locais. Os da morfologia passam a tarde inteira no maior bate-papo com os flanelinhas da rua.

Quanto aos dois tiroteios em um mês, três carros levados em quinze dias, assaltos diários e estupro de uma residente na saída do plantão...Bom, isso aí já não é nenhuma novidade. Enfim...Absurdo!

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