quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Michel Machado- uma história de como quase foi assaltado
Bom, é bem simples o problema na nossa faculdade. Desde que o 1º semestre, todo aluno de qualquer curso já sente que o bairro não é o melhor exemplo de segurança, mesmo havendo guaritas na avenida José Bastos e alguns carros do Ronda que passam de vez em quando. Eu mesmo já fui "quase" assaltado por duas vezes na faculdade. Digo quase pq já fui assaltado por muitas vezes e a gente aprende que os assaltantes seguem praticamente o mesmo esquema. Eles chegam de fininho, observam vc, o seu carro, um pouco de intuição, pode ser, mas ela me tem sido bastante útil.
A primeira vez foi no primeiro semestre, onde as aulas eram na morfologia. Eu costumava estacionar numa rua onde existe uma igrejinha. Estacionei meu carro e notei um cara que agia de forma estranha, ficava olhando pro fim e início da rua e pro meu carro e pra mim. Não gosto de julgar ninguém, mas sem exageros, fiquei dentro do carro por quase 10 minutos(o que é um mundo de tempo pra quem está parado) com a marcha engatada, e o homem não se mexia, ficava na mesma. Eu decidi então sair dali e vi pelo espelho retrovisor que ele saíra de lá.
Os semestres continuaram e outra coisa que passou a me incomodar muito foi os flanelinhas, que para mim, novamente correndo o risco de pré-julgamento, são colaboradores dos bandidos, pois os flanelinhas sabem como vc é, como é seu carro, quais seus horários exatos de entrada e saída. Eles (flanelinhas) são dotados de uma atenção e memória exagerada. Muitos colegas da faculdade dirão que estou exagerando e sou paranóico, mas deixa de dar apenas 50 centavos para o guardador do seu carro pra ver se eles não fazem cara feia e dizem que "vão te cobrar depois" (leve tom de ameça). Eu mesmo já fui abordado à noite por uma conhecida flanelinha da campus, e ao dar 50 centavos ela exigiu mais, dizendo que : " vcs alunos tem dinheiro, a gente sabe, o problema é que vcs não querem dar". No final dei uma nota de dois reais e fui embora.
O terceiro semestre chegou e eu já estava muito ansioso e de saco cheio com as abordagens dos flanelinhas e com as notícias de inúmeros colegas e amigos sendo assaltados no campus, então me inspirei em uma amiga e decide acordar bem mais cedo do que costume e colocar meu carro nas vagas do estacionamento do CA da medicina, que por sinal, são muito escassas. Os dias que não consigo por meu carro no CA, não tenho sossego de jeito nenhum, logo eu que não tenho o costume de andar em grupos, já que não dou caronas, pois moro longe de muitos colegas. Nessa terça-feira, dia 11 de dezembro, resolvi não ir pra aula de manhã e dormir um pouco mais, pois o cansaço às vezes vence. Cheguei na Rua da Morfologia ( sempre confundo a Alexandre Baraúna com a Delmiro de Farias), estacionei meu carro por volta de uma da tarde, peguei minha mochila e jaleco e subi em direção à rua onde ficam as Xerox e a entrada da Odonto. Noitei de "canto de olho" um homem sem camisa e de bicicleta, ele chegava perto e assoviava e falava "Ei, Ei, Ei..". Eu apressei o passo, quando senti ele chegar mais perto corri e me escondi numa Lan House onde tinham algumas pessoas. Não satisfeito, o meliante continuou a rua e assaltou uma menina da Odonto. Conversando com uma moradora descobri que em menos de 15 dias mais de 3 carros tinham sido roubados. Um justamente nessa terça.
Enfim, essa é a historinha dos meus quases, pra minha sorte. Mas muitos colegas e amigos queridos tiveram a infelicidade de serem assaltados, terem o fio da bateria do carro cortada para facilitar o roubo, sequestrados, tiroteios e a lista segue, com a última aquisição sendo um caso de estupro nos arredores da faculdade (não é bom entrar em detalhes por falta de informação e pra preservar a imagem da vítima). O que mais falta acontecer? A morte de um aluno, com certeza. Talvez nem precisemos teatralizar um velório como foi organizado pelos alunos.
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